O que é varicocele e quais são os sintomas e tratamentos
Varicocele é uma alteração comum, mas ainda pouco falada. Ela acontece quando as veias dentro do escroto ficam dilatadas, de forma parecida com as varizes que aparecem nas pernas. Em muitos casos, não causa sintomas. Em outros, pode provocar dor, sensação de peso, alteração no tamanho do testículo ou dificuldade para engravidar.
O ponto central é este: varicocele tem avaliação e tratamento. Nem toda pessoa precisa operar, mas toda suspeita merece uma consulta com urologista, especialmente quando há dor persistente, mudança no volume testicular ou investigação de infertilidade.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação médica individual.

O que é varicocele e por que ela acontece
A varicocele é a dilatação anormal das veias do plexo pampiniforme, uma rede de veias que ajuda a drenar o sangue dos testículos. Quando esse fluxo não funciona bem, o sangue pode se acumular na região e dilatar essas veias.
Essa condição costuma aparecer com mais frequência do lado esquerdo. Isso ocorre por causa da anatomia das veias nessa região, que favorece maior pressão no retorno do sangue. Também pode ocorrer dos dois lados, embora seja menos comum aparecer apenas à direita.
A varicocele costuma surgir na adolescência ou no início da vida adulta, muitas vezes durante o desenvolvimento puberal. Ela pode permanecer estável por anos e ser descoberta apenas em um exame de rotina.
Em termos simples, o problema envolve três pontos:
Dificuldade de drenagem do sangue
As veias não conseguem conduzir o sangue de volta com a mesma eficiência.
Dilatação das veias escrotais
As veias aumentam de calibre e podem formar uma sensação de “bolsa de vermes” ao toque, especialmente em casos mais evidentes.
Possível aumento da temperatura local
Os testículos funcionam melhor em temperatura um pouco abaixo da temperatura corporal. A dilatação venosa pode interferir nesse equilíbrio em algumas pessoas.
Esse aumento de temperatura e a possível alteração da circulação local ajudam a explicar por que a varicocele pode estar ligada à fertilidade masculina. Ela pode afetar a produção, a quantidade, a movimentação ou a forma dos espermatozoides. Ainda assim, a presença de varicocele não significa infertilidade automática.
Muitas pessoas com varicocele têm filhos sem dificuldade. Outras só descobrem a condição durante exames de investigação de fertilidade.
Quais são os sintomas mais comuns da varicocele
A varicocele pode ser silenciosa. Isso significa que a pessoa pode ter a alteração por anos sem sentir dor ou notar qualquer mudança. Quando há sintomas, eles costumam aparecer de forma gradual.
Os sinais mais comuns incluem:
Dor ou desconforto no escroto
A dor costuma ser leve a moderada, com sensação de peso ou pressão. Pode piorar ao longo do dia, após ficar muito tempo em pé ou depois de atividade física.
Sensação de peso nos testículos
Algumas pessoas descrevem como um incômodo constante, mais evidente no fim do dia.
Veias aparentes ou palpáveis
Em casos mais avançados, as veias dilatadas podem ser percebidas acima do testículo, principalmente em pé.
Diferença no tamanho dos testículos
A varicocele pode estar associada a redução do volume testicular, sobretudo quando surge na adolescência.
Alterações no espermograma
Em quem está tentando engravidar sem sucesso, a varicocele pode aparecer durante a investigação.
A dor da varicocele costuma melhorar ao deitar, porque essa posição facilita o retorno do sangue. Esse detalhe ajuda o médico a diferenciar a condição de outros problemas. Ainda assim, dor testicular nunca deve ser ignorada.
Procure atendimento com urgência se houver dor intensa e súbita, náuseas, vômitos, inchaço importante, febre, vermelhidão ou alteração repentina na posição do testículo. Esses sinais podem indicar outras condições que precisam de avaliação rápida, como torção testicular ou infecção.

Também é comum confundir varicocele com outros problemas na região escrotal. Hidrocele, hérnia inguinal, cistos, inflamações e lesões podem causar aumento de volume ou desconforto. Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas pela aparência ou pelo toque em casa.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico começa com uma boa conversa clínica. O urologista pergunta sobre dor, tempo de evolução, piora com esforço, histórico de fertilidade, cirurgias anteriores e outras doenças. Depois vem o exame físico.
Durante o exame, a avaliação geralmente é feita com a pessoa em pé e também deitada. O médico pode pedir uma manobra de esforço, como prender a respiração e fazer força, para observar se as veias ficam mais evidentes.
A varicocele costuma ser classificada em graus, de acordo com o que se percebe no exame:
Grau | Como costuma ser percebida |
Grau I | Só é percebida com manobra de esforço durante o exame |
Grau II | É palpável em pé, mesmo sem esforço intenso |
Grau III | É visível ou facilmente percebida no escroto |
Essa classificação ajuda a orientar a conduta, mas não decide tudo sozinha. O médico também considera sintomas, idade, tamanho dos testículos, desejo de ter filhos e resultado de exames.
O ultrassom com Doppler pode ser solicitado para confirmar o diagnóstico ou avaliar melhor o fluxo sanguíneo. Esse exame usa ondas sonoras e permite observar as veias, seu calibre e o refluxo de sangue. Ele costuma ser útil quando o exame físico não é claro, quando há diferença de volume testicular ou quando é preciso descartar outras causas de dor e inchaço.
Em situações de investigação de fertilidade, o espermograma é um exame frequente. Ele avalia características do sêmen, como concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Muitas vezes, mais de uma coleta é necessária, porque os resultados podem variar.

A avaliação também pode incluir dosagens hormonais em casos específicos, principalmente quando há alterações importantes no espermograma, redução do volume testicular ou suspeita de outros problemas associados.
Um ponto importante: encontrar varicocele não significa que ela seja sempre a causa de todos os sintomas. O médico precisa ligar os achados do exame à história clínica. Essa análise evita tratamentos desnecessários e ajuda a escolher a melhor conduta.
Quais são os tratamentos para varicocele
O tratamento depende do impacto da varicocele. Quando ela não causa dor, não altera o tamanho testicular e não está ligada a problemas de fertilidade, a conduta pode ser apenas acompanhamento.
Esse acompanhamento pode incluir consultas periódicas, exame físico e, em alguns casos, ultrassom ou espermograma. Em adolescentes, observar o crescimento dos testículos é especialmente relevante, porque uma diferença persistente de volume pode mudar a decisão de tratamento.
Quando há dor leve, o médico pode orientar medidas conservadoras, como:
Evitar longos períodos em pé quando isso piora o desconforto
Reduzir temporariamente atividades que aumentam a dor
Usar suporte escrotal em algumas situações
Usar analgésicos ou anti-inflamatórios apenas quando prescritos
Essas medidas podem aliviar sintomas, mas não corrigem a dilatação das veias. Se a dor persiste, se há alteração no espermograma ou se existe impacto no desenvolvimento testicular, o médico pode indicar tratamento intervencionista.
As principais opções são cirurgia e embolização.
A cirurgia para varicocele
A cirurgia, chamada varicocelectomia, tem como objetivo interromper o fluxo pelas veias dilatadas e preservar estruturas importantes, como artérias, vasos linfáticos e canal deferente.
Existem diferentes técnicas. A microcirurgia subinguinal é uma das abordagens usadas por muitos urologistas, pois permite visualização ampliada das estruturas. Também existem técnicas laparoscópicas e abordagens inguinais, escolhidas conforme o caso, a experiência da equipe e os recursos disponíveis.
De forma geral, a cirurgia busca:
Reduzir o refluxo venoso
Aliviar dor quando ela está relacionada à varicocele
Melhorar parâmetros do espermograma em casos selecionados
Preservar ou recuperar crescimento testicular em adolescentes quando indicado
A recuperação varia. Muitas pessoas voltam a atividades leves em poucos dias, mas exercícios intensos e relações sexuais podem exigir pausa por mais tempo, conforme orientação médica. Como qualquer procedimento, a cirurgia pode ter riscos, como dor, hematoma, infecção, hidrocele ou recorrência da varicocele.
A embolização da varicocele
A embolização é um procedimento feito por radiologia intervencionista. Em vez de uma incisão na região inguinal, o especialista acessa uma veia, geralmente por punção, e usa materiais para bloquear o fluxo nas veias relacionadas à varicocele.
Pode ser uma opção em casos selecionados, inclusive quando há recorrência após cirurgia. Nem todos os serviços oferecem o procedimento, e a indicação depende da anatomia venosa e da avaliação da equipe.
A escolha entre cirurgia, embolização ou acompanhamento deve ser individual. Não existe uma única resposta para todos os casos.
Quando tratar é realmente necessário
A decisão de tratar costuma ser mais clara em algumas situações. Entre elas estão dor persistente atribuída à varicocele, alteração do volume testicular e infertilidade com exames compatíveis.
Em adultos que querem ter filhos, o tratamento pode ser considerado quando há varicocele palpável, alteração no espermograma e ausência de outras causas que expliquem melhor a dificuldade. Em adolescentes, a atenção costuma se voltar ao crescimento testicular e aos sintomas.
Por outro lado, uma varicocele pequena, sem dor e sem impacto claro pode ser apenas acompanhada. Operar toda varicocele encontrada ao acaso não costuma ser a melhor conduta.
Situação | Conduta mais comum |
Sem sintomas e exames normais | Acompanhamento |
Dor leve e ocasional | Medidas conservadoras e reavaliação |
Dor persistente | Avaliação para tratamento |
Alteração no espermograma | Investigação completa e possível tratamento |
Redução do volume testicular | Avaliação cuidadosa, especialmente em adolescentes |
Também vale lembrar que fertilidade é um tema do casal. Mesmo quando a varicocele está presente, a investigação pode envolver outros fatores masculinos e femininos. Tratar a varicocele pode ajudar em casos bem indicados, mas o resultado não é imediato. A produção de espermatozoides leva tempo, então mudanças no espermograma costumam ser avaliadas meses depois, conforme orientação médica.

A melhor forma de lidar com a varicocele é evitar dois extremos: ignorar sintomas importantes ou tratar sem necessidade. Uma avaliação bem feita coloca cada caso no caminho certo.
Varicocele é comum, pode ser totalmente silenciosa e nem sempre exige intervenção. Quando causa dor, altera o desenvolvimento testicular ou aparece junto a dificuldades para engravidar, merece investigação cuidadosa. O tratamento pode ir de simples acompanhamento a cirurgia ou embolização, sempre com indicação individual.
Se houver suspeita, dor recorrente ou preocupação com fertilidade, o próximo passo é marcar consulta com um urologista. Quanto mais cedo a condição é avaliada, mais claras ficam as opções e menor o risco de decisões baseadas em medo ou dúvida.






Comentários